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:: Quem não arrisca, não inova

Não existe varinha de condão quando o verbo é inovar. Para Carlos Arruda, coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral, o que muitas organizações buscam ao injetar recursos em processos de caráter inovador não é tão simples quanto um truque de mágica. "As empresas querem resultados rápidos, mas, quando o tema é inovação, se trata de um investimento que é incerto e de longo prazo", diz Arruda.


Nem por isso, trabalhar inovação de maneira produtiva é algo impossível ser feito. Segundo Arruda, o que se faz necessário é encontrar o ponto de equilíbrio entre a liberdade de inovação e o rigor no controle dos processos. "O erro das empresas está em priorizar o controle e os resultados mais do que a própria inovação. O grande desafio é achar um meio termo", explica. Para o professor, é fundamental que sejam reduzidos ao máximo os riscos que envolvem toda e qualquer iniciativa inovadora.


Na visão de Arruda, quanto mais organizadas são as empresas, menos elas inovam. Por mais estranho que possa parecer, a mesma lógica se aplica às companhias desorganizadas. "Nenhum extremo funciona. Por um lado, existem muitos processos e, por outro, eles não existem", observa. Uma sugestão para que as empresas equilibrem suas ações e apostem na inovação como diferencial competitivo está na mudança dos mecanismos de controle, o que implica em mudanças de modelo organizacional, processos de análise, treinamento e capacitação. "Sem processo, muitas idéias não são colocadas em prática. Da mesma forma, muitos processos não permitem que as pessoas inovem", avalia.


Arruda, que palestrou no 19º Congresso de Marketing e Vendas da ADVB-RS, realizado em Porto Alegre, diz que o mundo corporativo precisa perceber que inovação e criatividade são coisas distintas. "A criatividade é individual, está ligada a educação e ao crescimento pessoal. A inovação é uma atividade tipicamente empresarial", observa Arruda, para quem todo processo inovador deve envolver a empresa como um todo, e não departamentos isolados. "O ato de inovar exige processos multidisciplinares e transversais, que façam com que as áreas precisem atuar em conjunto", destaca.

Por Grasiela Duarte / Redação de AMANHÃ


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